sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O MAR COMO TESTEMUNHA




Celso Hohmann 

Pedro a encontrou quando caminhava a beira mar, brincando com a espuma que vez ou outra atingia seus pés. O sol acabara de nascer, tingindo o céu de cores vivas de róseo, lilás, laranja e vermelho e refletia no mar desde o horizonte até onde as ondas quebravam na areia.
A praia estava quase deserta, via-se apenas uma ou outra silhueta ao longe e uma delas vinha caminhando na direção de Pedro. À medida que a distância ia diminuindo, começavam a se definir formas femininas no que anteriormente era apenas um vulto. Assim que a jovem se aproximou algumas palavras escaparam da boca de Pedro:
— Para esse cenário ficar perfeito, só faltava a mais perfeita das criaturas: você.
A jovem apenas sorriu, estendeu a mão, e calados os dois seguiram andando, deixando para trás suas marcas na areia molhada. Uma brisa repentina agitou os cabelos e causou arrepios no casal que parou, e então, sem pressa, se beijou tendo o céu, o sol e o mar como testemunhas. Foi um longo beijo salgado, mas que deixou doce sabor de cumplicidade em ambos. Sem pronunciar palavra cada qual seguiu seu caminho, em sentido oposto, sem olhar para trás.

                                                                         

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